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Cortar ou lapidar uma gema, como um diamante, é um trabalho extremamente especializado, exigindo conhecimento, técnica e ótimas ferramentas. Esse passo da produção tem foco na simetria, proporção entre as facetas e as laterais da gema e polimento do diamante, e não apenas em seu formato. Cada formato, brilhante, princess, lágrima, tem a sua lapidação ideal, com proporções específicas para valorizar as características da gema. O corte afeta de forma direta seu brilho, absorvendo e refletindo a luz da melhor maneira possível.

Lapidação Brilhante

Até o século XV, os diamantes eram usados em seu formato octaédrico, na chamada Lapidação ponta, que era ocasionalmente polida, resultando em uma gema sem muito apelo. A partir de então, passaram a ser adicionadas à mesa e a culaça, como um primeiro passo em direção à evolução da lapidação e valorizando a qualidade acima do peso. A Lapidação Mesa, como era chamada, ainda assim não refletia a luz de forma satisfatória, sendo que de certos ângulos, não refletia luz alguma. Observamos em quadros da época, que joias com diamantes eram representadas com bastante preto. Por esse motivo, as gemas coloridas, como rubis, eram muito mais usadas e valiosas. Nos anos seguintes foram adicionadas novas facetas, levando à uma coroa poliédrica em oposição a mesa quadrada de antes.

O conceito de um diamante em lapidação brilhante foi introduzido por volta de 1650, incluindo novas facetas sobre as arestas existentes, passando a ter 34 facetas. Foi criada por influência de um cardeal e foi nomeada em sua homenagem, sendo chamada de Lapidação Mazarino. Esse corte foi alcançado graças à invenção do rebolo, em 1476, por um joalheiro belga , que usava o rebolo principalmente em briolettes, já com o conceito da simetria absoluta, A primeira lapidação com 58 facetas foi criada no século XVII, e era chamada de Lapidação Peruzzi. Apesar de ter o mesmo número de facetas que usamos na Lapidação Brilhante hoje, não tinha a coroa completamente circular e possuía facetas de tamanhos irregulares.

Esse corte é, sem dúvidas, o mais popular. Com 57 facetas, 58 se contarmos a culaça, ele é o resultado de séculos de melhorias e inovações. O primeiro modelo dessa lapidação foi criado em 1919, por Marcel Tolkowsky, e seus cálculos para as proporções serviram de base para o modelo que usamos hoje. Apesar de seu modelo ter sido inovador na época, ainda não era proporcionalmente perfeito. Desde então, diversos grupos fizeram uso da tecnologia para criar novos modelos para cortes brilhantes, melhorando e aumentando o numero de opções e com os melhores resultados ao refletir a luz.

Com a melhoria da precisão, podemos perceber um padrão na reflexão, chamado de hearts and arrows, corações e flechas. Foi observado pela primeira vez no Japão, na década de 80, em uma gema que seguia os padrões que ficaram conhecidos como ideal proportions, proporções ideais, que eram vistas em diamantes classificados como excelentes para os padrões japoneses, de simetria perfeita e cortados de forma específica. Esse corte ideal revela oito corações quando olhamos a gema pelo pavilhão e oito flechas quando olhamos pela coroa, quando vistos através do Firescope, um direcionador de luz desenvolvido especialmente para esse propósito.

Lapidação Princess

Com a chegada de novas tecnologias de lapidação nos anos 60, novos cortes passaram a ser desenvolvidos, para satisfazer a necessidade do mercado por gemas diferentes e dos profissionais de um corte que aproveitasse mais a gema bruta. Após anos de desenvolvimento, foi alcançada uma modificação do corte brilhante, em formato quadrado com degraus. Em documentos formais, encontramos a classificação “diamante quadrado, lapidação brilhante modificada, estilo princess”, mas a conhecemos apenas como Lapidação Princess, que é a segunda em popularidade atualmente. Esse melhor aproveitamento da gema em seu estado octaédrico também diminui seu custo, o que faz com que essa lapidação custe menos do que uma gema de mesmo quilate em corte brilhante redondo.

Esse corte não possui um número fixo de facetas. Por possuir a mesa ampla, temos no pavilhão uma área que pode ser alterada para apresentar um maior número de facetas, e assim fazer com que a luz tenha mais superfícies dentro da gema para refletir. Essas facetas são chamadas de chevrons, e podem aparecer em dois, três ou quatro, resultando em 57 a 76 facetas, mesmo que esse número ainda possa variar. Independente do seu número total de facetas, esse corte tende a ser mais brilhante e cintilante do que outros cortes quadrados.

Uma característica que alguns podem considerar como um problema são as pontas agudas, que se tornam locais vulneráveis e sensíveis. Entretanto, ao alterar o formato das quinas da gema, é modificada uma das características que tornam esse corte tão especial. Por isso, ao comprar uma joia que carrega gemas com a lapidação Princess é importante notar se as garras estão posicionadas de forma a proteger essas partes frágeis. Anéis solitários proporcionam essa proteção com sucesso, e ainda podem apresentar detalhes que complementam a intenção da joia, sendo uma combinação ideal.

Ideal Square

Recém-lançado, o Ideal Square é uma lapidação quadrada de 68 facetas, que possui características nunca antes encontradas em lapidações quadradas. Primeiramente, esse corte apresenta as ideal proportions. Seu pavilhão é lapidado de forma única, mais similar ao de um brilhante redondo, mas com um efeito de reflexão dupla da luz, que melhora seu brilho. Essas características do corte brilhante redondo causam ainda uma cintilação maior do que qualquer outro corte quadrado.

Apenas uma fração dos diamantes retirados das minas por ano possuem a características necessárias para serem lapidados como um Ideal Square, sendo que apenas 600 lapidadores no mundo possuem a expertise necessária para realizar esse corte, que leva de 4 a 5 vezes mais tempo para ser finalizado do que um corte tradicional. As ideal proportions causam em diamantes o efeito hearts and arrows, normalmente observado em brilhantes redondos. Esse fenômeno ótico foi observado pela primeira vez em outro tipo de lapidação com o Ideal Square.

Esse corte é patenteado e certificado pela IIDGR, um Instituto do Grupo De Beers, garantindo sua qualidade e autenticidade. As gemas usadas são mineradas e lapidadas no Canadá, sob rigorosas leis de proteção ambiental e dos Direitos Humanos.

Unindo o formato quadrado que se tornou muito popular em anéis de noivado com o fenômeno que cria corações e flechas, esse diamante se tornou o novo preferido na hora de representar a ligação romântica.

Esperamos que tenham gostado de saber mais sobre os tipos de lapidação. Caso deseje saber mais ou, até mesmo, sobre serviço de confecção de joias entre em contato conosco aqui.